Pé no freio. A produção nacional de veículos sofreu redução de 1,3% em outubro, de 300,2 mil unidades fabricadas no mês anterior para 296,3 mil, de acordo com dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nesta quinta-feira (6).
A queda do ritmo está diretamente ligada à produção de automóveis e comerciais leves: em outubro saíram das linhas de produção 190,5 mil unidades, o que representa uma queda de 12,3% em relação a setembro, quando foram fabricadas 217,3 mil unidades.
O resultado é conseqüência da preocupação da indústria automobilística nacional em manter os estoques em níveis “saudáveis”, já que a crise financeira global potencializou a queda das vendas já esperadas para o segundo semestre deste ano.
Em relação a outubro de 2007, quando 297,2 mil veículos, houve queda de 0,3% na produção. No acumulado de janeiro a outubro, a indústria automobilística nacional soma produção de 2,92 milhões de unidades. O aumento foi de 17,6% sobre o mesmo período do ano passado, quando chegaram aos pátios das fábricas 2,48 milhões de unidades.
Aperto ao crédito e exportações
A desaceleração da produção é reflexo da queda de vendas no mercado interno - com o aperto ao crédito para financiamentos - e das exportações (em unidades). Segundo a Anfavea, o licenciamento de veículos caiu de 268,7 mil unidades para 239,2 mil unidades, o que representa desaceleração de 11%.
Embora o consumidor brasileiro sinta o lado psicológico da crise, as montadoras se preocupam com o futuro dos negócios nos outros países, esses sim afetados pela ação “real” da crise financeira global.
Em valores, as exportações subiram 2,7%, de US$ 1,26 bilhão em setembro para US$ 1,29 bilhão em outubro. O setor já soma no ano US$ 12 bilhões em vendas externas, crescimento de 7,4% sobre janeiro a outubro de 2007, quando foram exportados US$ 11,2 bilhões.
Férias coletivas
Para reduzir o ritmo e ajustar os estoques as montadoras decidiram antecipar as férias coletivas e acertar o saldo do banco de horas – o que também entra em acordos estabelecidos anteriormente com os sindicatos. Nesta terça-feira (4), a Ford ampliou as férias coletivas para os funcionários nas três unidades da montadora no Brasil, em São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP) e Camaçari (BA). A montadora empresa também decidiu adiar por prazo indefinido o início do segundo turno na unidade caminhões, em São Bernardo.
Outras montadoras como General Motors, Fiat, Honda (motos), Renault e Volkswagen também tentam ajustar estoques com férias coletivas e banco de horas.
Ajuda do governo
O mercado deve ganhar um novo fôlego neste final de ano com o anúncio da liberação de R$ 4 bilhões feito nesta quarta-feira (5) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. O aporte será repassado para os bancos das montadoras e será revertido em crédito para os consumidores na abertura de financiamentos.
Fonte: Globo
Data: 06/11/2008
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Produção brasileira de veículos cai 1,3% em outubro