Edição de 20 anos de ELLE traz matéria especial sobre duas décadas de moda
Quem não tem uma foto antiga vestindo um “modelito” pra lá de estranho? Em duas décadas de moda, muita coisa foi inventada, já saiu dos armários e já voltou. Na edição de aniversário de 20 anos da Revista ELLE, a leitora pode relembrar desde as ombreiras até o atual chanel revival.
Só na virada do século 21 que saímos de uma era ditatorial da moda. Com o fim do regime militar, a criatividade começou a fervilhar. Depois de duas décadas dos tailleurs corretos e comportadas pérolas para os hippies jeans e plataformas, chegou o momento de inovar. Gloria Coelho tornou-se referência em 1980 ao vender uma alfaiataria moderna, vestidos tutu com espírito esportivo e os “múltiplos” (casacos que se transformam em camisetas ou saias). Nesse período começou a aparecer os tricôs, crochês e bordados pelas mãos de Renato Loureiro, Patachou e Barbara Bela. Já Maria Cândida Sarmento, Andréa Saletto e Alice Tapajós ensinavam a usar o chic nonchalant tropical – base de peças de cores neutras e modelagem relax.
As novelas da Globo também começaram a influenciar o guarda-roupa feminino. Lembre-se das meias listradas com sandálias. Até então seguíamos a moda da Europa. Em 1996, o produtor de moda Paulo Borges convidou criadores e proprietários de marcas para concentrar o lançamento de coleções em duas semanas de moda por ano. As opções eram poucas, elitizadas, copiadas e ainda havia dificuldade em encontrar tecidos e propostas diferentes.
Enquanto quebrava-se a cabeça para fazer moda, a indústria do jeans comemorava o boom. As calças Lee perderam lugar para os modelos da marca italiana, Fiorucci, trazida pela consultora de moda, Gloria Kalil. A partir daí, jeans destróier (lavado e rasgado) e clochard (com barras viradas, meias soquete e sapatos pesados e blazer com ombreiras) viraram a sensação do momento para pessoas com menos de 30 anos.
Sem a oscilação dos preços da era da inflação e com acesso fácil ao mercado internacional, a importação chegou com tudo nos anos 90. Para competir, a indústria nacional tentava melhorar os tecidos e os estilistas abriram mão das referências de fora, passando a ter mais personalidade. Com o MorumbiFashion (hoje São Paulo Fashion Week), ganhamos uma verdadeira vitrine de moda. Segundo Constanza Pascolato, o evento foi o marco da vida real da moda brasileira.
Além do surgimento das faculdades de moda em 1990, foram criados estilos inusitados inspirados nas ruas, nos clubes noturnos e até mesmo em tribos improváveis, como as drag queens. Nesses 20 anos, caiu a ditadura de um único estilo e subiu a democracia do estilo individual. Para os próximos anos é bem provável que teremos surpresas ao abusar da tecnologia, como os tecidos que esquentam no frio e esfriam no calor. Basta aguardar mais alguns anos.
Confira mais detalhes da reportagem na revista ELLE de maio.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Data: 20/05/2008
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